No outro lado da cidade
Não sei o que, foi o vento
O vento me dispersou
Viajei por terras estranhas
Entre flores espantosas,
Tive coragem pra tudo
No outro lado da cidade
Sem tomar cuidado em mim
Passeava com tais perícias,
Punha girafas na esquina,
Quantos milagres na viajem!
Meu coração de ninguém!
E pude estar sem perigo
Por entre aconhegos pagos
Em que o carinho mais velho
Inda guardava agressão
Busquei São Paulo no mapa,
Mas tudo, com cara novo
Duma tristeza de viagem.
Tirava fotografia.
E o meu cigarro na tarde
Brilhava só, que nem Deus
Fiquei tão pobre, tão triste
Que até meu olhar fechou.
No outro lado da cidade.
O vento me dispersou.
(Toada\ Mário de Andrade)